Escritos - Por Akzel em 13/03/2008 21:53 - 2 comentários
Música de graça também dá dinheiro
Ou quase isso.
Após se libertar dos grilhões de sua gravadora, Trent Reznor (cujas opiniões sobre a indústria fonográfica já foram debatidas aqui no Submusica) lançou seu novo álbum sob um novo paradigma mercadológico.
Chamado Ghosts I-IV, as 36 faixas instrumentais saÃram em múltiplos formatos e vários preços em uma atitude ousada como a do Radiohead, porém com uma visão mais aguçada ainda sobre os novos tempos. Sai o “pague quanto quiser” e entra Creative Commons, múltiplos formatos de lançamento, e por que não, música de graça.
As primeiras 9 faixas do álbum (”Ghost I”) estão de graça nos torrents da vida e maneira 100% legalizada, e na verdade foram enviadas pelo próprio músico! Sob a égide da CC você pode baixar, copiar, distribuir essas faixas à vontade. Claro que se você quiser contribuir com a banda, pagando mÃseros US$5 você pega as 36 faixas e arquivos PDF com a arte em alta resolução do álbum. E aà que entra a jogada de mestre: Como todo o material é CC, você pode de fato distribuir à vontade mesmo essas outras faixas em torrents, copiando os CDs, o que você quiser. A “pirataria” nesse caso não transforma o usuário em um criminoso! E os fãs, eles pagaram os 5 dólares pelo download, ou escolheram algumas das opções, como o CD duplo (US$10), DVD, Blu Ray com todos os samples separadinhos para possÃveis remixes em alta resolução em edição limitada por US$75, ou mesmo o pacote super luxuoso, que inclui pôsteres autografados, vinil de alta gramatura, CDs, DVDs, Blu Ray e tudo o que qualquer fã sonha. Pela bagatela de US$300.
A edição limitada (2500 cópias) ganhou as notÃcias quando rapidamente esgotou e as pessoas notaram que 2500 cópias custando US$300 dão um total de 750mil dólares. Tirando os custos de produção (que obviamente não devem chegar nem a 30% do valor total do pacote) podemos pensar que são mais de meio milhão de dólares direto no bolso dos artistas. Sem gravadora, sem divulgação, sem direitos autorais! E considerando que esse é o álbum mais vendido na Amazon.com (com relatórios dizendo que vendeu 800mil cópias, gerando US$1,6milhões de dólares), podemos dizer que música gratuita afinal, dá dinheiro! Os relatórios de venda no próprio site do álbum não foram divulgados ainda, porém não devem ficar da “concorrência”.
Não tem segredo que esse dinheiro vem de uma base de fãs construÃda com muito tempo e talento, e que obviamente artistas iniciantes (ou quase todos eles) não podem sonhar com seu primeiro milhão através de um álbum lançado em seu próprio site, mas é mais um prego cravado no caixão das mega-gravadoras. Sem esquecer que muitos “analistas” gostam sempre de lembrar que o novo mercado impregnado por publicidade viral e facilidade na comunicação e distribuição pode gerar novos “super-sucessos” sem gastar quase nada em propaganda.
A hora de se adaptar ao novo mercado já passou, agora é só levantar a bandeira branca e esperar o navio afundar (ou correr MUITO atrás do prejuÃzo). Lembremos que mesmo nesse paradigma novo uma gravadora pode oferecer bastante ao artista, como divulgação a novos artistas e suporte para turnês grandes; mas essas funções de intermediário estão nesse momento sendo revistas e precisam ser novamente definidas.
A grande esperteza de Reznor foi seguir a simples lógica que já é discutida a tempos: Se o artista dá ao público as opções e meios, o retorno é garantido. A base de fãs mais dedicados vai pagar mais por um produto diferenciado, de alta qualidade. Quem só curte o som vai comprar o CD ou baixar os mp3s, e se o legalizado for bem baratinho e mais cômodo do que o pirata, todo mundo sai ganhando! E se você for um duro e não tiver 5 pratas, vai acabar baixando o torrent mesmo, e nesse caso não será um criminoso por isso. As gravadoras do século passado não estavam dialogando com seus consumidores e esse distanciamento e arrogância que vai acabar com o seu domÃnio sobre a distribuição (legal) de música (e das outras formas de entretenimento, caso ampliemos para os filmes, séries, etc). Ou eles esperavam que o seu público fosse simplesmente ficar sentado, vendo adolescentes sendo processados por baixar música pop pela internet e comprando a velha mÃdia para sempre?
Pense na velha briga do Metallica versus Napster, mas invertendo a cabeça dos caras do avesso. Bem-vindos ao século XXI.
2 comentários
Baixe de graça o novo Nine Inch Nails: The Slip @ Submusica
As gravadoras precisam aprender a deixar de ser tão gananciosas! Já basta!
Dani Edson






















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