O povo tem mania de ser insatisfeito. Pro pessoal do folclore, da cultura de raiz, o chamado techno-brega é o fim da picada. Pra quem tá de fora, tudo é curioso. Do Carimbó ao Brega-Calipso. Pros freakonomics de plantão o interessante é como o produto dessa cultura toda vira troca e dinheiro. Dos dois lados ( e não são só dois ) dessa moeda há prós e contras. Mais prós, cá entre nós.
É de 2007 o documentário “Good Copy, Bad Copy” que mostra além da cena do Pará toda a celeuma causada pelo sample e os direitos autorais, que vão desde o processo em cima do N.W.A numa demonstração do absurdo que é a visão do homem de negócios ligado à música, à venda de produtos piratas em vários cantos do mundo. Casos ilustres como o Grey Album e o processo ( eu falei processo de novo? ) sobre Greg Gillis, o Girl Talk ( Sim, esse que teve há pouco tempo tocando no Tim Festival ) permeiam todo o filme.
Realizado pelos dinamarqueses Andreas Johnsen, Ralf Christensen e Henrik Moltke, “Good Copy, Bad Copy” é um documentário que mostra a luta pela cultura livre e pelo compartilhamento de conteúdos.
Entrevistando DJs como Girl Talk e Dangermouse, os advogados Lawrence Lessig e Ronaldo Lemos, Dan Glickman (CEO da MPAA, a associação de produtores de Hollywood), acadêmicos, executivos e outros especialistas e entusiastas do tema, o filme acompanha a pirataria de discos na Rússia, a crescente indústria cinematográfica da Nigéria (hoje o país que mais produz filmes por ano no mundo – mais que os EUA e que a Índia), a forma como produtores musicais se apropriam de obras alheias para criar músicas novas, a história do site sueco Pirate Bay (que desafiou a legislação americana) e os mercados de nicho no Brasil, com o funk carioca e o techno-brega de Belém. Passou na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo sem maiores alardes.
Disponível pra download e para ser visto inteiro no site oficial e num outro já com a legenda em português fixada nos frames (só pra download).
O Alexandre Matias bateu um papo ligeiro com os diretores.
Crop sobre a cena do Pará:
http://www.youtube.com/watch?v=xo2sv3jjJi8
http://www.youtube.com/watch?v=ZECMUgMNyz0
Tags: brasil, cultura, direito_autoral, documentário, download, funk, mundo, negócios, pirataria, samples, sites
Artigos relacionados:
3 comentários para "Ainda em tempo, “Good Copy, Bad Copy” [filmes]."
-
Dexter disse em 20/12/2007:
Ja tinha visto, excelente. A impressao que eu tenho que estamos no meio de todo o “PROCESSO” ou seja, nesse exato momento nada esta definido, musica livre, musica paga, o que tem que ser pago e o que nao tem que ser pago, o que eu sei que o processo de digitalizaçao ta fazendo uma puta reviravolta no mercado fonografico, e de um lado estao as Majors e toda a industria que acompanha esse mercado, seja produzindo produtos eletronicos que disseminam a nova forma de manipular musica ou criando softwares que dao a possibilidade de todos criarem suas musicas e distribuilas. Do outro lado nos os usuarios que agora podemos consumir musica de uma forma diferente, mais facil, barata, e livre (mesmo quando nao deveria).
Acompanho essa historia ja a algum tempo e ainda nao sei que fim levara!
Uma coisa eu sei, democratizaçao!abs
-
Davi Roque disse em 20/12/2007:
Olha o que o Ralf diz sobre a noção de cultura do Brasileiro,”É uma longa história de ter consciência que a cultura brasileira é uma cultura de remix.”
E de fato, desde 1922 a gente sabe disso.Tempo pacas né?
-
Lucio K disse em 20/12/2007:
muito bom o filme, tinha visto duas vezes. o pior é que muito brasileiro ainda nao percebe que a gente é o povo da adaptacao, isso que nos faz únicos.. aí fica querendo clonar cultura gringa e só pagando pau pros colonizadores.. o futuro é a mistura, portanto, o BRasil é realmente o país do futuro
+0
+0
+0





(14 votos)