Em entrevista recente, Trent Reznor, líder da banda Nine Inch Nails compartilhou sua opinião sobre os downloads ilegais de música. E de quebra apresentou um de seus projetos paralelos, uma nova maneira de distribuir música (de novo!) e mais algumas coisinhas…
Primeiro ao comentar o fim do agregador de torrents privado OiNK ele diz que “Eu admito que tinha uma conta e era freqüentador assíduo” e então discorre como iTunes não é “cool” e que DRM e bitrates baixos não estão com nada e conclui sabidamente dizendo que a pirataria existe não porque os fãs querem fazer dinheiro às custas dos artistas, mas simplesmente porque preenche um vácuo existente de demanda e oferta por música digital de fácil acesso e baixo custo. O que não saiu da minha mente foi pensar que aquela pessoa te enviando o álbum que você está baixando pode ser o próprio artista.
Seguindo o rastro do Radiohead, o álbum mais recente em que Trent colaborou (The Inevitable Rise and Liberation of Niggy Tardust!, do artista de hip-hop Saul Williams, produzido por Reznor) foi colocado de forma digital, seguindo um modelo ainda mais ousado. Você pode baixar o mp3 com 192kbps de qualidade de graça ou pagar US$5 e baixar o mp3 em 320kbps ou FLAC, ambos com a arte do álbum em pdf. Possivelmente o próximo álbum do carro chefe Nine Inch Nails seguirá o mesmo modelo, ainda que segundo o mesmo “a realidade é que as pessoas pensam que é okay roubar música” e “a música foi desvalorizada, de modo que é só um arquivo no seu computador e geralmente de graça.”
E ele finaliza dizendo que “o que podemos fazer é oferecer às pessoas a melhor experiência possível. Será que irá funcionar? Eu não sei. Mas eu acredito que essa seja uma grande maneira de levar a música às pessoas que se interessam. No final do dia, tudo o que me importa é a integridade da música e os sentimentos de quem a aproveita de modo menos degradado. Eu prefiro que não terminemos em um comercial do iPod.”
No final do dia o que fica é a sensação de que não importa em qual lado da moeda você se encontra (produtor/consumidor), o modelo atual da indústria fonográfica é ineficaz em lidar com as tecnologias emergentes e as novas mentes e que em breve toda essa indústria terá que se adaptar ou morrer. Uma das melhores perguntas que Trent Reznor deixa, e nós a reproduzimos aqui é: “Quando um álbum de seu artista favorito vaza pela internet, você ainda compra ele ou só aproveita?”
Tags: DRM, label, legal, majors, nine inch nails, oink, radiohead, saul williams, trent reznor
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6 comentários para "Troca-troca (de música) com seu ídolo"
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Lucio K disse em 12/11/2007:
por que itunes eh uma furada? Queria ler mais sobre isso. abs
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Dudu P disse em 12/11/2007:
iTunes é mais um intermediário, ele não está ali por caridade.
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Akzel disse em 12/11/2007:
Acredito que quando ele fez esse comentário a Apple só vendia música com DRM (ou pelo menos que ele saiba). E tem mta gente que é contra essa “centralização” da venda de música online, etc e tal.
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Dudu P disse em 13/11/2007:
Existem dois problemas de posicionamento de marca do iTunes, e isso eu quero ver como a Apple vai resolver, porque é algo muito difícil. Quando se diz “iTunes”, tem duas possibilidades:
1 - A loja online de música, vídeos e games, iTunes Music Store. A imprensa lá fora já adota a sigla iTMS quando se refere à essa porção, que acredito é a qual o Trent se referiu.
2 - O aplicativo iTunes, que serve pra você organizar suas músicas, vídeos, ringtones, games, calendários, contatos e o escambau no seu iPod ou iPhone. Aqui estamos falando do software.
A Apple sempre faz distinção entre “iTunes” e “iTunes Music Store”, mas as pessoas não fazem. Este é um dos problemas.
O outro, sem dúvidas, é que o iTunes cresceu e está pegando praticamente todos o conteúdo de seu usuário e sincronizando com seus devices. No caso do iPhone, falta apenas pegar os documentos (planilhas, textos, etc.), pois todo o resto da vida digital da pessoa já está sendo sincronizada: músicas, vídeos, games, ringtones, notas, fotos, agenda, contatos, calendário, e-mail… E aí é que mora o problema: não é mais apenas “tunes”, como no começo.
E este, sem dúvida, é o grande pulo do gato da Apple. Não vi ninguém ainda se tocar que a Microsoft está tendo seu Windows canibalizado por três empresas: Google, Apple e Mozilla. Ambos estão tomando pra si o controle dos dados dos usuários, e o Windows cada vez mais perde valor.
Nunca foi tão fácil alguém trocar de sistema operacional como hoje em dia. Antigamente eu vivia preso ao Outlook. Hoje está tudo no Gmail, e tanto faz a maquina no qual estou. Mesma coisa com minhas músicas e vídeos.
O iTunes está, silenciosamente, tomando conta de toda a vida digital do usuário. Eu fui muito antipatizante no começo, mas depois de ver tanta gente falando que o programa era foda, decidi experimentar, e estou amando.
Agora, sobre o lance da centralização, de ser contra, isso é balela. Quem diz isso é operadora de cartão de crédito, que ganha por transação e adoraria ver nego comprando 15 artistas em 15 sites diferentes, ao invés de um Beatport só. Não tem logística, não tem material físico, não tem porque você não vender suas faixas você mesmo E vender em todas as lojas online.
O mercado de conteúdo móvel já provou que isso funciona muito bem, eles aceitam redundância até dentro deles mesmos (por exemplo, ter dois canais de conteúdo iguais agregados por chancelas diferentes).
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Carlos Filho disse em 17/11/2007:
O lance do itunes é que as músicas de um álbum podem ser compradas separadas (que é o grande mote do serviço), e, como disse Thom Yorke (Radiohead), isso “quebra” a integridade artística do álbum, cujas músicas fazem parte de uma obra maior, e que não fazem muito sentido se adquiridas sozinhas.
Concordo com ele, mas ainda não tenho uma opinião muito esclarecida sobre isso =\
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Música de graça também dá dinheiro @ Submusica disse em 13/03/2008:
[...] de sua gravadora, Trent Reznor (cuja opiniões sobre a indústria fonográfica já foram debatidas aqui no Submusica) lançou seu novo álbum sob um novo paradigma [...]
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