Submusica 2.0

Back 2 Basics: aprenda a trabalhar com mp3 Opa, dá licença de me apresentar? Meu nome é Pedro Marques, venho trocando idéias com o Dudu faz um tempinho sobre música digital, controladores Midi e baratos afins.

Papo vai, papo vem, surgiu a idéia de colaborar aqui com o Submusica. Ora vou falar sobre tecnologia (sou jornalista e escrevo sobre o assunto há mais ou menos 10 anos), ora vou falar de música, mesmo. Mas a primeira dica vem a ser de como ganhar um pouco mais de qualidade na hora que você for tocar com um computador.

Afinal de contas, não é porque o arquivo é digital que isso garante a qualidade dele. Ao contrário: qualquer um pode gerar um arquivo mp3 com facilidade, ao contrário das gravações em estúdio. E por isso, você tem que ficar esperto quando lida com mp3.

Como bem sinalizou o Dudu nos posts sobre controladores midi, a música digital está cada vez mais presente na cabine do DJ. É uma baita vantagem, claro: você pode encontrar as canções rapidamente, organizá-las do jeito que te parecer mais fácil e carregar milhares de faixas dispensando cases de vinil ou CDs. Além disso, dá para tocar a mesma faixa em dois decks ao mesmo tempo e mixar músicas do mesmo disco.

Cena padrão: cabines de DJ e cabos pra todo o lado Tocar com música digital, porém, também tem seus pontos fracos em comparação aos tradicionais CDJs e picapes. O primeiro problema é bem conhecido da maioria do pessoal que tem se aventurado pelos controladores midi e emuladores de vinil: dá mais trabalho botar o equipamento pra funcionar, ao contrário dos tradicionais CDJs e picapes que só precisam ser conectados ao mixer e à uma tomada. Você não imagina o inferno que acontece quando chega um DJ de Serato e outro de Final Scratch no mesmo dia…

Outro problema que me chama a atenção é a qualidade de som. Muitas vezes, canções convertidas em mp3 não têm a mesma qualidade dos CDs e discos. E isso faz uma diferença considerável no que o pessoal ouve na pista. Em casa ou no seu tocador de mp3, a qualidade do arquivo não faz muita diferença. Mas quando a música é reproduzida em um belo conjunto de caixas de som, as deficiências do mp3 ficam bem mais aparentes.

Além disso, é preciso entender que o conjunto laptop/controlador midi/emulador de vinil é um animal diferente de picapes e CDJs. Os computadores precisam processar a música digital antes de tocar. Isso pode levar a engasgadas durante o set ou – pior – até mesmo o travamento da máquina.

Pensando nisso, separei algumas dicas para quem está começando a usar essas novas ferramentas de DJing. Talvez elas pareçam básicas demais, mas acho que são esses cuidados que vão fazer a diferença na hora que você estiver virando.

O som representado em forma de onda no Adobe Audition

MP3, bitrates e encodamento

Acho que essa é a mais óbvia das dicas. Mas a qualidade do MP3 influencia absurdamente no que as pessoas ouvem na pista. Isso porque o MP3 não é uma cópia exata da música gravada em um CD. Ele é um arquivo que contém boa parte das informações sonoras de uma canção. Só que para ter seu tamanho reduzido – e poder ser trocado rapidamente pela internet – o MP3 despreza algumas informações.

O pessoal do Instituto Fraunhoffer, os criadores do MP3, alega que esses sons desprezados não são ouvidos pela maioria das pessoas. O que faz sentido: em muitos aparelhos de som, principalmente os domésticos, as diferenças passam meio batidas. Mas essas debilidades ficam aparentes em um bom sistema de som, sim.

Os formatos com qualidade mais baixa são os de 64, 96, 112, 128 e 160 kbps, sendo que o último eventualmente pode ser usado, enquanto os outros devem ser evitados. Um MP3 com qualidade de 192 kbps tem pouca diferença entre a música gravada em CD. Acima disso, nas qualidades de 256 e 320 kbps, não dá para sacar se o que está tocando é um mp3 ou um CD.

O tipo de encodamento é outro problema menor. Algumas músicas são codificadas com um bitrate variável, chamado de VBR, que exige mais processamento do computador e tem qualidade menor. Melhor é usar os arquivos de bitrate constante, ou CBR. Você pode conferir essas informações simplesmente selecionando a opção “propriedades? no programa de música que você usa.

Resumindo: evite tocar com arquivos com qualidade abaixo de 192 kbps. Se “aquela? música que você adora não tiver boa qualidade e você não encontrá-la em lugar algum, paciência, vá com ela mesmo. Mas você ainda pode tentar baixar a música novamente, de uma outra fonte que tenha o mp3 em qualidade superior; comprar o disco/CD e converter para o seu computador com qualidade máxima ou pagar pela faixa em um site de downloads (Beatport, Juno, eMusic, etc.)

Torq, da M-Audio: interface para visualizar sua biblioteca inteira

Dando uma geral na sua coleção

Uma vantagem do MP3 é que você pode dar uma “polida? nas faixas antes de tocá-las. Com a ajuda de um editor de áudio, você pode aumentar o volume, retirar silêncios indesejados e até dar uma incrementada nos graves, médios ou agudos, o que pode ser uma boa no caso de músicas com qualidade mais baixa..

Existem vários programas que fazem isso (Pro Tools, Audition 2.0, Sound Forge, Nero, etc.). Um que quebra bem esse galho e é gratuito é o Audacity (http://audacity.sourceforge.net).

Em linhas gerais, vale a pena aumentar um pouco o volume dos mp3, assim você não precisa jogar o ganho no máximo no caso de tocar uma faixa muito baixa – e música assim tem aos montes na internet, acredite. Os ajustes devem ser feitos aos poucos: se aumentar demais o volume, a música vai distorcer.

Outra idéia é remover o silêncio que às vezes vem no fim das canções. Isso porque a maioria dos programas entende o silêncio como parte da música e vai fazer um cálculo errado da duração da faixa.

Sem falar que você ainda pode fazer cortes e usar alguns efeitos para fazer um remix exclusivo. Vale, desde que você não revenda a música: primeiro porque é ilegal. Depois, se você passar a faixa pra frente, ela deixa de ser exclusiva, certo?

O poderoso Traktor 3, da Native Instruments

Deixa o computador trabalhar

Programas de DJing costumam analisar as músicas para determinar o volume, os BPMs, duração, e exibir a canção graficamente (os waveforms). O processo leva alguns segundos por mp3, dependendo da velocidade do computador. Só que no caso de você ter milhares de mp3, esse processo demora muito mais. Aliás, esse é um problema bastante comum nos fóruns de diversos fabricantes de programas de DJing.

O que fazer? Simples, deixe o computador analisar sua coleção de músicas beeeem antes de você pensar em tocar. Isso é chato e consome tempo. A vantagem é que muitos programas, como o Torq, o Traktor e o Virtual DJ, fazem a análise dos mp3 apenas uma vez. Assim, seu notebook não vai ter que analisar a música no meio do set e você evita o risco do programa engasgar e até mesmo travar, dependendo da velocidade e da memória da máquina.

Se organize

A vantagem de tocar com o laptop é que dá para carregar muito mais música no computador, com muito menos peso. Mas tem gente que exagera. Outro dia tinha um post no fórum da Torq de um camarada reclamando que o computador levava cerca de meia hora para carregar a coleção de músicas – de 80 mil faixas! Na boa, duvido que alguém precise de tanta música assim pra uma noite. E nem você precisa.

O lance é se organizar para encontrar rapidinho aquilo que você vai tocar. E a maioria dos programas de DJing oferecem a comodidade de organizar as músicas em playlists. Fazer diferentes playlists, por estilo, noite, BPM ou clima (o que for melhor para você) pode ser uma boa maneira de se localizar no meio de milhares de canções.

Bom, é isso. Ficou meio grande e acho que até chovi no molhado em alguns casos. Mas espero que sirva pra alguma coisa, principalmente para quem está começando a brincar com essas novas tecnologias.

Abraços e até a próxima!


Deixe seu comentário! (19) Permalink de "Back 2 Basics: aprenda a trabalhar com mp3"

19 comentários para "Back 2 Basics: aprenda a trabalhar com mp3"


  1. Dudu P disse em 21/10/2007:

    Boa, Pedro! Seja bem vindo e tomara que esse seja o primeiro de muitos tutoriais aqui no Submusica! :D


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  3. Palestina disse em 22/10/2007:

    Bacana, agora vou aproveitar o contexto e fazer uma pergunta: Existe algum programa que ajuda a “fazer uma faxina” nos ID3 tags?


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  5. Spektr disse em 22/10/2007:

    Otima materia!

    Enfim, eu ja comecei na era digital e muitas dessas coisas tive que aprender “na marra”. Legal que alguem tenha resumido tudo numa materia!

    Uma dica complementar eh que tao logo compre as musicas no site ou converta do CD, e bom fazer logo a analise, ou seja, nao e bom deixar acumular. O Traktor faz a analise automatica quando se escuta no “preview” e isso facilita as coisas. Outra coisa: ao trocar de computador (ou reinstalar o mesmo), vale a pena tambem levar o diretorio do traktor junto, o que facilita muito o reinicio (nao se precisa criar todos os playlists de novo).

    Alias, faco uma pergunta aqui aos autores: Existe uma forma mais pratica de fazer os playlists? O Traktor nao me parece muito amigavel nesse sentido. Ja o Deckadance, por exemplo, aceita playlists no formato .pls, e e possivel fazer tudo no Winamp, o que pra mim facilita bastante.


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  7. Iznup disse em 22/10/2007:

    Boa matéria!

    Bem vindo!


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  9. Pedro Marques disse em 25/10/2007:

    Palestina disse:

    Bacana, agora vou aproveitar o contexto e fazer uma pergunta: Existe algum programa que ajuda a “fazer uma faxina” nos ID3 tags?

    @Palestina: Cara, eu uso o Media Monkey pra gerenciar minha biblioteca de músicas. Ele tem até uma função que busca o nome das faixas na Amazon, bem bacana, e não é caro. Mais infos aqui http://www.mediamonkey.com.


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  11. Pedro Marques disse em 25/10/2007:

    Spektr disse:

    Otima materia!

    Enfim, eu ja comecei na era digital e muitas dessas coisas tive que aprender “na marra”. Legal que alguem tenha resumido tudo numa materia!

    Uma dica complementar eh que tao logo compre as musicas no site ou converta do CD, e bom fazer logo a analise, ou seja, nao e bom deixar acumular. O Traktor faz a analise automatica quando se escuta no “preview” e isso facilita as coisas. Outra coisa: ao trocar de computador (ou reinstalar o mesmo), vale a pena tambem levar o diretorio do traktor junto, o que facilita muito o reinicio (nao se precisa criar todos os playlists de novo).

    Alias, faco uma pergunta aqui aos autores: Existe uma forma mais pratica de fazer os playlists? O Traktor nao me parece muito amigavel nesse sentido. Ja o Deckadance, por exemplo, aceita playlists no formato .pls, e e possivel fazer tudo no Winamp, o que pra mim facilita bastante.

    Ô Spektr, valeu pelas dicas extras! Quanto aos playlists, eu tou acostumado a usar o Media Monkey, citado acima. Aí é só arrastar as faixas no playlist do MM para o Traktor. Outra opção é criar uma pasta e fazer uma cópia das músicas que vc pretende tocar (tb faço isso, já que vou editar essas músicas separadamente). Depois é só arrastar para uma playlist do Traktor. Metódico, mas eficiente.


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  13. Mari disse em 15/11/2007:

    Horrivel odiei


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  15. Dudu P disse em 16/11/2007:

    Mari disse:

    Horrivel odiei

    Que pena, eu gostei pra caramba! :D


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  17. DanceMania disse em 17/11/2007:

    POis eu gostei, mas como só cozinho uns setzinhos beeeem domésticos no mixmeister pro 6 eu só me interesso pela qualidade da música, já que ñ mixarei live mesmo [e nem aspiro a isso]. NO caso das mp3, se a peste da musica estiver com som ruim [existe uma prática maldita de riparem do myspace e jogarem em 192 kbps na internet deixando um audio ruim com tanho enorme desnecessariamente] não tem equalize que dê jeito. Gostei da matéria, deu até uns toques que eu nem lembrava mais.. No caso, se aumentar o volume da mp3, devo deixá-lo em -0.5dB ou em -0.1dB? Beijinhos Brahmadinhos.


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  19. Spektr disse em 19/11/2007:

    Ola Pedro! Agora com o lancamento do Beatport Sync, talvez seja mais facil fazer as listas pra o Traktor! Alias, bem que o submusica poderia fazer um review completo dele para nos pobres mortais! ;)


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  21. johnatan poul disse em 28/11/2007:

    oi meu nome e johnatanpoul eu estou comesando agora a careira de dj gostaria que vcs me dessem uma ajuda ai nnas batidas eltronicas ok me mande um recado estarei esperando ;.;.


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  23. Josias de Oliveira disse em 04/12/2007:

    Esotou com uma tremenda dúvida para baixar músicas em meu Mp3, se vocês poderem me ajudar eu agradeço, obrigado…


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  25. [DJ].[Marcos] disse em 18/12/2007:

    Sempre toko com pc…facilita muito a minha vida, e esse cuidado com a qualidade do mp3 é excencial mesmo, principalmente se o equipamento que irá trabalhar for de ótima linha, parabenizo aos que preocupam-se em ajudar kem está começando, qualquer coisa, tb estou a disposição, um abraço e um feliz ano novo!


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  27. santos teixeira de oliveira disse em 22/12/2007:

    como faz pra mim adquirir um desse ?


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  29. santos teixeira de oliveira disse em 22/12/2007:

    como faz pra mim adiquirir esse programa?


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  31. Braz disse em 29/02/2008:

    UMA DÚVIDA!… COMO FAÇO E QUE PROGRAMA USO PARA CONVERTER MP3 DE 192 OU 256 KBPS PARA “128 KBPS”????


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  33. Pedro disse em 11/06/2008:

    muito bom o artigo
    concordo que se deve evitar qualidades abaixo de 192,
    muitas vezes vejo pessoas usando pessimos 128 ou arquivos de tal bitragem disponivel para download, eu particularmente só uso ripar aúdio 192 ou 256 e as veses 224 e quase nuca abaixo disso so quando impossivel. Outra coisa que vejo sendo muito comentado em foruns é pessoas procurando desnecessariamente programas como lame (nada contra) e outros para criar mp3, sendo que da para obter otimas qualidades com wimdows media player, itunes, MusicMatch Jukebox, winamp, nero… o mesmo para as id3.
    sempre despresei e desconfiei dos vbrs pelo fato de escutar musicas baixadas da internet com alta bitragem e pessima qualidade ja fiz testes com vbrs que inicialmente não gostei e outros mais recentes que sairam melhores e me fez concluir que dependendo da configuração podemos consequir vbrs melhores que cbrs.

    existe boatos que 128 é uma bitragem de alta qualidade e que vbr e melhor, muitos nao percebem a diferenca outras percebem claramente o melhor a fazer seria testar varias bitragens e tirar sua conclucoes.
    existem programas gratuitamente disponiveis na internet que podem ser rapidos e comprometer a qualidade dos seus mp3
    alem do mp3 existe o mp3 pro e wma pro com melhor qualidade, mais indicado para arquivos pequenos
    sobre mp3 pro: http://www.guiadohardware.net/termos/mp3-pro
    conclusão prefira bitragens acima de 128, arquivos de 320 sao muito grandes levando em consideracoa o tamanho, compensa mais uma bitragem de 256 que é muito exelente ou 224 e 288, os cbrs sao uma exelente opçao, apesar de vbr poder ser melhor, outros formatos de audio sao aac melhor que mp3 (apesar da maior qualidade prefiro mp3)oog vorbi o meu preferido, muito melhor que aac.
    consulte tambem: diferenças entre cbr abr vbr http://www.forumpcs.com.br/viewtopic.php?t=225856
    mp3 em 5.1
    http://www.meiobit.com/audio_video_fotografia/mp3_agora_com_5_1_surround
    bitragem http://pt.wikipedia.org/wiki/Bitrate
    comparativo entre mp3 aac ogg vorbis
    http://www.img.lx.it.pt/~fp/cav/ano2006_2007/MEEC/Trab_24/Comparativo%20Audio_ficheiros/page0004.htm


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  35. Alvaro Barbosa disse em 06/09/2008:

    Meu caro,

    Sobre o tamanho da compactação do arquivo, se eu pegar um mp3 com 320 Kbps e converter para 128 kbps, a qualidade do áudio é afetada???

    Muito bom o tutorial, parabéns!

    Forte abraço


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  37. Demonio disse em 27/10/2008:

    eéééééeeéééééééééééééé´´e

    iradoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo


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