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Vigilância Epistêmica

Muitas e muitas informações chegam até nós diariamente através da grande rede de computadores, dos jornais, rádio e televisão. Achar que tudo que lemos e ouvimos é verossímel nada mais é do que encarar a vida de forma inocente, com influências negativas em nossas relações afetivas, profissionais e na compreensão da arte.

Por esse motivo, vigiar-se é impedir de sutilmente se ver entre as cercas da mesmice, futilidade e da falta de conteúdo relevante.

Além do lado musical em minha vida, que são os podcasts e textos que escrevo para o Submusica, tenho na engenharia minha segunda grande realização pessoal e dela muito me orgulho. E foi numa dessas pausas para o café, para descansar a mente dos números e dos elétrons brasileiros, que felizmente deparei-me com um texto na Intranet e que motivou o que já há tempos quero escrever: Está na hora de calibrar o desconfiômetro na Era da Desinformação.

O excelente texto, sob o ponto de vista Stephen Kanitz, aborda o tema nos remetendo ao passado, quando ainda crianças, acreditamos em tudo que vemos e que, a partir dos 4 anos de idade, já não mais nos interessamos pelos truques e mágicas das festinhas dos coleguinhas. Começa neste momento a vigilância epistêmica, que muitas vezes a esquecemos na vida adulta, descaracterizando a sensibilidade de perceber o que é verdadeiro e o que está baseado em maquiagens, ilusões de mídia e marketing, sempre focados “na vida de gado, povo marcado, povo feliz”.

Seja na política brasileira, desgastada pelas incontáveis denúncias de falcatruas e pilantragens ou até mesmo no Google, que em sua busca varre um monte de porcarias deixando de lado páginas conceituadas, seja no âmbito acadêmico ou científico, as inverdades surgem a todo o momento e obsedam as mentes frágeis que facilmente se vêem envolvidas pelo “canto da sereia” da mídia e da desinformação.

Luzes em mentes obscuras

Em tempos de luzes e cores na TV, festas e mídia, mentes obscuras a observam passivamente.

Eu mesmo por diversas vezes na vida, inconscientemente, fui incapaz de separar o joio do trigo, seja nas minhas relações pessoais, profissionais e com o lixo musical presente na maioria das festas de música eletrônica espalhadas aqui pelo Rio e pelo restante do país. Convido o caríssimo leitor do Submusica a refletir sobre as situações em que, por cegueira ou até mesmo excesso de informação, se viu perdido junto com muitos e muitos outros, que se encontravam fisicamente em um local, mas seja pelo uso abusivo de drogas ou futilidade mesmo, estavam com o que restou de suas mentes totalmente trancafiados sem a percepção de que com os porcos havia se juntado.

Ao finalizar seu texto, Kanitz observa que, desde os primeiros passos da identidade tupiniquim, professores, livres-docentes e doutores preocupam-se em analisar os fatos usando um viés científico, lógico, estatístico e racional, antes de proclamar “verdades” às pessoas. Concordo com ele, mas acredito ser um tanto complexo utilizarmos de tantas ferramentas metódicas quando se trata de cultura, música e comportamento.

Seria possível utilizarmos a vigilância epistêmica em assuntos que, basicamente, são extremamente pessoais? Afinal de contas, as preferências sexuais, de sons e estilos de vida não nos cabe julgar se é correto ou não, pois estaríamos entrando no rotulismo, uma das muitas formas de se ratificar uma mentira. Escrever um texto para um site bastante lido criticando comportamentos que, a princípio, não me são simpáticos também não é uma forma de contribuir com este lixo distante de ser reciclável?

Livre de julgamentos, sentenças, verdades e mentiras, procurarei de agora em diante desenvolver melhor a tal da vigilância. Fiscalizar a si mesmo diante deste bombardeio de bytes diários em frente ao computador é permitir-se, porque não, entrar em contato com o lixo e até fazer dele uma motivação para reduzi-lo. É a convivência e o conhecimento de que conteúdo sem qualidade circula por aí que fortalece o cognitivo, para cada vez nos prepararmos melhor ao que ainda estar por vir, se permitindo ser livre para não cair no mesmo erro do que é inqualificável e mal feito: querer tratar quem o lê e escuta, um subproduto.

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5 comentários para "A vigilância epistêmica na Era da Desinformação"


  1. Dudu P disse em 09/10/2007:

    Falta discernimento. Infelizmente o que é apenas um texto, música ou vídeo tosco acaba virando uma moda. As pessoas perdem a noção do ridículo muito facilmente.

    Uma coisa é você abrir o YouTube e ver um cara escorregar numa casca de banana e rir daquilo por um instante. Eu já ri muito de coisas ridículas assim. Só que o pessoal não se satisfaz, parece que todos estão à procura de uma identidade que aparentemente não possuem — o que é uma mentira, pois todo mundo tem a sua — e começam a seguir aquilo, e a coisa vira moda.

    Não esqueço até hoje do show do Prodigy aqui em São Paulo, em maio de 1999. Dezenas de moleques com o cabelo raspado ao estilo do Keith Flynt. Quando ele subiu no palco, estava careca, pois a banda estava de férias da cansativa e longa turnê do Fat Of The Land. E aí vários moleques com cara de bunda. Uns pareciam procurar um barbeador pra raspar os dois tufos de cabelo e ficar igual ao cara.

    E o mais engraçado é que o cara criou esse visual “Bozo From Hell” pra chamar a atenção, pra se destacar, se expressar. Não pra virar moda, afinal, se ele não quisesse se distanciar, bastaria ir no barbeiro da esquina e fazer um corte “máquina 3 dos lados, tesoura em cima” igual 90% das pessoas.

    Filtro. Essa é a palavra.

    Não acredite em tudo que vê.

    Não acredite no hype. Ele é mentiroso. E caloteiro. Tá devendo a um monte de gente aqui no quarteirão.


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  3. MA disse em 10/10/2007:

    Dudu P disse:

    Falta discernimento. Infelizmente o que é apenas um texto, música ou vídeo tosco acaba virando uma moda. As pessoas perdem a noção do ridículo muito facilmente.

    Uma coisa é você abrir o YouTube e ver um cara escorregar numa casca de banana e rir daquilo por um instante. Eu já ri muito de coisas ridículas assim. Só que o pessoal não se satisfaz, parece que todos estão à procura de uma identidade que aparentemente não possuem — o que é uma mentira, pois todo mundo tem a sua — e começam a seguir aquilo, e a coisa vira moda.

    Não esqueço até hoje do show do Prodigy aqui em São Paulo, em maio de 1999. Dezenas de moleques com o cabelo raspado ao estilo do Keith Flynt. Quando ele subiu no palco, estava careca, pois a banda estava de férias da cansativa e longa turnê do Fat Of The Land. E aí vários moleques com cara de bunda. Uns pareciam procurar um barbeador pra raspar os dois tufos de cabelo e ficar igual ao cara.

    E o mais engraçado é que o cara criou esse visual “Bozo From Hell” pra chamar a atenção, pra se destacar, se expressar. Não pra virar moda, afinal, se ele não quisesse se distanciar, bastaria ir no barbeiro da esquina e fazer um corte “máquina 3 dos lados, tesoura em cima” igual 90% das pessoas.

    Filtro. Essa é a palavra.

    Não acredite em tudo que vê.

    Não acredite no hype. Ele é mentiroso. E caloteiro. Tá devendo a um monte de gente aqui no quarteirão.

    E já dizia Turbo B do saudoso Snap! Don´t believe the hype! Concordo Dudu, seu comentário foi bacana ao lembrar sobre a cultura a imagens que vivemos atualmente. Quase tudo gira em torno da imagem, do superficial e sem alma. Mas, sejamos otimistas também né? Tem muita coisa boa por aí, é só deixar a inércia e garimpar… :)


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  5. davi roque disse em 10/10/2007:

    iptv, telefones em geral com gps….

    é bom ficar ligêro!


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  7. davi roque disse em 10/10/2007:

    Dudu P disse:

    Não acredite no hype. Ele é mentiroso. E caloteiro. Tá devendo a um monte de gente aqui no quarteirão.

    Tá devendo a um monte de gente aqui no quarteirão!!!!!!!!!!!!!!!!


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  9. Stella Cardoso disse em 15/09/2008:

    Muito interessante o texto. Estava procurando sobre o tema vigilância espistêmica para refletir e partir deste elaborar uma redação de vestibular para o cursinho. Pesquisei no google e a primeira página que apareceu foi essa.
    Na minha opinião, o excesso de informação precisa de um auto controle, e uma boa reflexão. Partindo-se do propósito que, nem tudo que vemos é verdade nós devemos manter a nossa própria opinião, mesmo com tantas influências. O mais importante manter o limite.


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