A segunda edição do podcast traz um set com o Diva Muffin, um mix do sempre importante Músicalivre baseado no ccMixter, videos, e aquele monte de palavras… Uma vez eu li que o elevador deveria ser eleito como a invenção do século (passado). E depois disso, lendo o tal texto. Achei que o mundo só cresceu de forma vertical. E os prédios maiores e tudo mais e mais vertical. Difícil saber o que seriam as cidades sem o elevador mas fica a impressão de que não haveria uma sem o outro.
No mundo da música, a tecnologia é indissociável do ato musical. Tudo, exceção ao canto dos pássaros e outros sons musicais da natureza são oriundos de inventos, porque não, tecnológicos.
Sou um cara de 1979, ano em que foi inventado o Walkman. Dos decks de fita antigos, aqueles de rolo maiores de estúdio, pra fita K7 já foi um salto considerável e depois da nova fita gravável ocupar 1/5 do espaço físico da anterior você podia colocar aquele tijolo na bolsa, na mochila e sair pela cidade com um par de fones ( bem menores também ) e algo me diz que essa coisa do indíviduo sair ouvindo música pela cidade afora, com um equipamento bem menor que aqueles Boomboxes dos manos do Hip Hop, deve ter rendido mais mutações na música urbana do que se pode supor. O ‘tráfico’ de música só fez aumentar. Todo jornalista do mundo na época deve ter agradecido muito. Reza a lenda que o inventor do aparelho teve a idéia pois queria ouvir mais das suas óperas preferidas enquanto voava de avião pelo oceano. É do começo dos 90 que data a explosão da subcultura, o processo de digitalização que hoje já soa arcaico, e é também dos 90’s que surge a invenção que daria sentido a uma outra mais antiga, o Mosaic. A mais antiga ? A Internet.
De um sistema criado pra prevenir e difundir ataques de guerra surge a base do que hoje se tornou sinônimo de liberdade e desverticalização do mundo. O Mosaic fez com que o ambiente sinistro dos códigos e mais códigos em Unix ( sistema que depois rendeu o Linux ) migrasse pro já estabelecido ambiente visual e que além de transformar o ‘difícil’ em ‘fácil’ retirou quase por completo o uso da rede para fins militares. Não que não tenha rendido uma guerra entre os interessados no controle desse novo ambiente.
Mas isso é outra história. O fato é que agora além de sair pela cidade afora com música nos ouvidos, eu consigo saber muito mais coisas sobre o que eu ouço, na época pipocaram sites com as letras que não conseguíamos entender, tablaturas pra quem tocava algum instrumento, isso sem falar do fênomeno demoscene, que já existia antes mas foi catapultado à estratosfera; rendeu de tudo… música, novos programas, vírus, Ansi Art ( ansi art?! ). Mas ainda faltava a cereja do nosso bolo.
O formato de arquivo MP3.
Igualmente uma invenção do começo dos anos 90, o arquivo mp3 só engrenou mesmo de 1995 em diante com o invento do primeiro player em tempo real o Winplay3, que logo na sequência foi substituído pelo Winamp. Agora, o que realmente elevou o mp3 ( hoje são inúmeros formatos que se dispõe a comprimir o áudio digital ) à nova mídia foi a invenção do compartilhador de arquivos p2p ( peer-to-peer ) Napster. Quase todo mundo sabe o que rendeu… processos, violação de direitos autorais, todas as represálias que a fita sofreu e mais algumas. Isso porque ainda não existiam os players portáteis de mp3, que fizeram o walkman parecer um boombox.
Hoje em dia por meio de tantas ferramentas qualquer rapaz latino americano pode sonhar com fazer carreira saindo do próprio quarto direto pro palco dos sonhos. São inúmeros exemplos que vão de brasileiros como o Teatro Mágico, que vende disco feito em casa, tendo sido feito em um Home Studio, já com marcas industriais de venda… Bonde do Rolê que começou como brincadeira e ganhou espaço no mundo via MySpace… e já ganhou os palcos. Bandas como Arctic Monkeys que alcançaram sucesso de público no mundo sem ter disco gravado…
Disco?
Bem, isso é outra coisa que tem os dias contados…
Dias contados ? Será ?
A mesma internet condensa fóruns e mais fóruns de Djs apaixonados pelo vinil. Vinil esse que virou interface de mp3, via Seratos e afins…
Concordo que fica difícil tirar do elevador a condição de grande invenção do século passado, até porque, há mais gente ainda que os use realmente precisando dele muito mais do que alguém que ache que precise de música nos ouvidos durante a maior parte do tempo, tempo esse cada vez mais diminuto. Mas é de se pensar no segundo do ranking.
Diva Muffin no Submusica Sessions…
Beleza mano ? Então, quantos são os Diva Muffins… não vi vocês ao vivo ainda. Fazem shows ?
Tudo beleza, Davi. O Diva Muffin é composto por mim e pelo Henrique Pucci. Nós dividimos as funções de produtor, programador, tecladista e guitarrista. Eu sou responsável pelos vocais e o Henrique toca bateria acústica. Ao vivo eu toco teclado, canto, sampleio algumas coisas e lanço as programações, enquanto o Henrique toca uma bateria de pads.
Pô, nem sabia que cês tinha tocado no UP (fui passear pelo site) , foi na edição passada né ? Como foi isso ?
A gente foi indicado pelo DJ SMurf, que é nosso brother e tinha visto uma apresentação nossa na festa de casamanto de uns amigos nossos (Que aliás, foi a festa de casamento mais maluca da qual eu participei). O Smurf, além de ser um puta DJ, é também responsável pela escalação do chill-out do Universo. Ele levou nossa material para o cara que organiza a pista alternativa e acabamos fechando a noite do dia 29/12. Foi uma puta experiência incrível! Além de ter sido minha primeira viagem para o Nordeste, nunca tínhamos tocado com uma aparelhagem tão bacana.
Apesar da música não ter me dado muita coisa, materialmente falando, minhas melhores viagens foram para tocar.
Tudo pela internet ou cês já lançaram alguma coisa em outra mídia?
Nosso principal meio de divulgação é a internet. Sempre estou disponibilizando coisas novas através do nosso site www.divamuffin.com . Recentemente laçamos duas demos ao mesmo tempo, uma chamada Tan (com sons mais de boa) e outra chamada Ban (cujo repertório é formado pelas nossas músicas mais pesadas)
Planos ? Dá pra fazer plano no Brasil ?
Nossos planos no momento é tocarmos mais. Queremos tocar em mais lugares, pois esse primeiro semestre de 2007 foi particularmente complicado tanto para mim quanto para o Henrique. Enquanto ele estava ocupado com a gravação do cd do Paura (banda de hardcore na qual ele toca batera e produziu os últimos 3 discos) eu me envolvi muito com meu curso de Filosofia, que pretenco terminar o quanto antes.
Quanto ao Brasil, acho que a cena eletrônica está mais interessante, mesmo ela não estando tão na mídia quanto à 10 anos atrás. Mas acho que isso acaba fazendo com que só uma galera que realmente curte esse tipo de som vá atrás de festas e afins. Só acho que a galera acabou sendo meio “xiita” em relação aos subgêneros da música eletrônica, coisa que é justamente contrária a idéia por detrás do Diva Muffin. Quando montamos esse projeto, minha condição de pertencer a ele era justamente poder fazer todo o tipo de música que nos parecesse interessante. Nem compromisso com a música eletrônica queremos ter. Nada nos impede de nossas próximas músicas serem feitas no formato guitarra, baixo, batera e voz.
Tem ouvido/lido/visto coisa instigante?
Estou mergulhado nos livros de Foucault. Ele me parece mostrar uma possibilidade de concretização do pensamente nietzscheano de forma bem interessante. também tenho folheado o Guimarães Rosa, pois ele sempre me emociona bastante.
Ando ouvindo muito o Mu, uma banda japonesa que mistura electro com uns sambinhas. Também tenho ouvido bastante a cena jazz/post-rock polonesa, tipo Baaba e afins. Semana passada fiquei ouvindo o penúltimo disco do Marilyn Manson todos os dias, só para esquecer desse último disco que ele lançou, que eu achei uma bosta.
Um site que sem ele perdia a graça da internet, só não vale o google. =)
You Tube vale? Acho que também não. Então vai um que acho ótimo: www.samurai.fm
ah, notícias do dollflesh?
Nós pensamos em fazer um show em comemoração aos 10 anos da banda. Mas não vai rolar pelos mesmos motivos que fizeram o Dollflesh acabar, ou seja, os outros dois integrantes não estão mais no meio musical, não tocam, não treinam. O Dollflesh acabou justamente porque só eu e o Henrique vínhamos dando um gás no som. Passamos um ano e meio fazendo as programações para o que seria nosso último disco, mas a coisa degringolou. Preferimos manter a amizade com todos os integrantes do que mandá-los embora, até bem porque não sei se tínhamos o direito de mandar alguém ir embora. Depois de 6 anos com a mesma formação nós viramos irmãos, o que não foi muito bom pra banda. Mas temos várias demos dessas músicas gravadas. Estamos vendo com o baixista a possibilidade de lançarmos esses sons com o Diva Muffin e ele no começo de 2008. Infelizmente, com o guitarrista, a coisa me parece inviável.
valeu mano.
=)
::ccMixtape 014: Músicalivre
ditto - Recommencer (mosquitomix in G)
salman - zeos - Natchoongi (Breaked DUB RMX)
jellyman3 - May apeskinny mix
cdk - Que Pena - cdk mix
teru - Funky Theme
duckett - oh lord
flatwound - Drove On By (Remix au Lynch)
Tags: backbone, commons, creative, Diva, electronic, eletrônico, Internet, livre, música, músicalivre, muffin, revista, Submusica, text, textos
Artigos relacionados:
3 comentários para "na periferia do backbone nacional"
-
T. Angel disse em 18/09/2007:
Muito boa entrevista e agora estamos aguardando o dia de ver o Diva Muffin ao vivo!
Abraços, T.
-
Marcela Sampaio disse em 18/09/2007:
Diva Muffin!
Bem, não é porque sou amiga dos componetes que acho o som dos caras uma nova vertente e daquelas que funciona!
Já tive a oportunidade de assistir alguns shows… no tal casamento, no Universo Paralelo, na casa dos amigos por ae…
Eu acredito muito no profissionalismo do Droe e do Henrique… os dois são muito talentosos, responsáveis naquilo que fazem e ambos possuem uma linha de raciocinio e análise sobre a musica incrivel, um pouco raro por ae…
Enfim, deixo aki meu post desejando muita sorte pra esses dois caras de muito sucesso!!!!!!!! -
Kito disse em 21/09/2007:
Ah realidade é que os cara são bons…bem bons!(Divas)
No Brasil, sons que se preocupam em passar um conceito e se divertir com bons timbres não tem espaço. Na verdade o som quase não tem espaço…só mesmo o fashionismo e a sacanagem deslavada nas letras. Antigamente era o pop que dominava…e o underground praticamente não existia. Hoje o underground está se dividindo num mundo onde fazer música não tem nada a ver com passar alguma cultura e naquele no qual todo mundo é underground(já que as gravadoras estão saindo do ar).
Numa megalópolis como SP e na net sempre há espaço para todos…pena que a grande massa ainda vote no Tchan!
Peace
LF
(subscribed to comments)
+0
+0
+0





(8 votos)