
Ritmos nascem a todo o momento, mas muitos não sabem que existe um universo de ritmos que nascem nas periferias. Confira uma coletânea de vídeos que mostram alguns como funk carioca, kwaito, dancehall, grime, entre outros.
Pra quem não acredita no maquiado e superficial mundo da indústria musical e sempre está atrás de música sincera, espontânea e verdadeira, é inevitável o interesse pela música que surge nos guetos, entre o povão, e que normalmente leva um bom tempo até ser absorvida (”sugada” seria a palavra mais apropriada) pelo mainstream.
A musica marginal, da margem, da periferia
Sempre foi muito difícil se informar sobre os ritmos das periferias do mundo inteiro, mas agora, graças a sites como o Youtube, já se consegue ver hits de cenas locais, � s vezes até pequenos filmes de festas e bailes, em guetos pelo mundo. Nesta matéria vou falar dos ritmos periféricos eletrônicos mais significativos hoje em dia, pelo mundo inteiro, e mostrar alguns vídeos de exemplo.
Dancehall ou Raggamuffin
Na Jamaica, Raggamuffin era o termo que os ingleses usavam pejorativamente para definir o mestiço. No final dos 80, quando baterias eletronicas enfim cairam nas mãos dos jamaicanos, foi criado uma ramificação do reggae, mais eletrônico, e muito mais enérgico. E os jamaicanos usaram o termo raggamuffin para ele, numa espécie de sátira ao sentido pejorativo original. Mais tarde foi adotado o termo dancehall pra englobar as ramificações do reggae eletronico, que vai desde o mais rude e falado (ragga) até o mais meloso e melodioso.
Clipe “Murder She Wrote”, de Chaka Demus & The Pliers, clássico de dancehall dos anos 90
Exemplo de como rola um verdadeiro baile de dancehall
O artista Sizzla em um show de ragga, evento tido como quase religioso
Reggaeton
Um pouco abaixo, em Porto Rico, Panamá e Colombia, foi rolando nos anos 90 a gênese de um ritmo influenciado pelo hip hop, dancehall e a cultura latina e caribenha. Até Cuba já tem seus representantes de reggaeton.
Clipe de “El Gato Volador”, do El Chombo — um subgênero do reggaeton chamado “dem bow”
Clipe de “Pin Pon”, reggaeton cubano do El Medicos
Funk Carioca
E o Brasil? Nós temos o nosso funk carioca, um som tosco, simples, mas genuíno e cheio de groove. Um ritmo periférico que nasceu no povo, entre produtores que tiveram que usar a criatividade pra compensar a falta de equipamentos.
No funk carioca (tambem conhecido lá fora como “Rio funk” ou “brazilian funk”), o estilo se definiu quando entraram os MCs e a influencia de ritmos brasileiros (como o maculelê, um ritmo afro-brasileiro). Aí se formou um ritmo totalmente baseado em samples, como se pode ver neste vídeo:
Vídeo que mostra um baile do subúrbio carioca onde o DJ faz improvisos com uma MPC
Drum and bass
Já indo para a Inglaterra, a meca da música: um ritmo de gueto inglês que conquistou o mundo, mas de uma forma continua marginal é o drum and bass, descendente direto do ragga-jungle, que tambem se fez na Inglaterra:
DJ Ratty fazendo um set de jungle, hoje chamado de “old skool”
Apresentação ao vivo do I Kamanchi, projeto dos DJs Krust e Die
Grime ou Dubstep
Mais recentemente, nos anos zero, se consolidou a cena Grime, que é muito interessante pois rompe com padrões sonoros e é aberto a experimentações:
Ruff Squad, um dos maiores núcleos de grime da Inglaterra
Kuduro
Descendo para a �?frica, em Angola temos o ritmo Kuduro, que há uma década anima os bailes por lá e influencia tambem os guetos de Lisboa. Tambem temos. lá na Angola, os ritmos Kizomba e Tarraxinha, que são muito mais lentos e melódicos.
“Comboio II (Remix do Znobia)”, com Os Lambas, representantes do ritmo Kuduro
Kwaito
No sul da áfrica tem um ritmo que é influenciado pela dance music e os ritmos locais, o Kwaito, mais um sabor de música de periferia:
“Koko”, do projeto Gazza, representando o Kwaito da Namíbia
O manifesto das periferias
O mais interessante é observar a grande semelhança entre todos eles. Passa bem a idéia de que a essência da música é uma só — por isso, não há sentido em se ter preconceito com ritmos musicais quaisquer. Outro ponto legal de se observar é que a cultura dançante vem toda das culturas pretas, das culturas das ruas. Como diz o ilustre Marcelinho da Lua, vivam os “ritmos vira-latas”, e power to the people!
Bom, essa foi a primeira incursão de ritmos de periferia. Lembro que não sou nenhum especialista, apenas um curioso que pesquisa, e adoraria outras sugestões e colaborações, trocar com quem se interesse, ou até retificações no que eu escrevi.
Fiquem a vontade para deixar sugestões e colar links para outros vídeos e falar sobre outros gêneros que possam ter ficado de fora. Faça seu comentário!
Tags: Drum and bass, dubstep, funk, funk carioca, grime, groove, kuduro, kwaito, música, periferia, reggaeton, ritmos, Videos, youtube
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16 comentários para "Conheça os ritmos da periferia"
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denis aka iznup disse em 19/05/2007:
Muito show! Materia estilosa!
Destes todos aí de cima, eu prefiro o Dubstep. Este estilo de Dancehall eu não curto muito não…
Arrebentou!
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Cybass disse em 19/05/2007:
Mandou muito bem! sempre aprendo muito com vc Lucio
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avontz disse em 12/06/2007:
cara.. eu não sou adpto de reggaeton .. acho mto chato…rsrsrs
Po.. mas dancehall… é mto foda.. mas tem que ter pegada….
como todo ritmo.. tem seus tunes fodas.. e zuados..o clip que vc colocou é fraquinho.. ( o riddim.. não o clipe em si..rs )
veja que o dancehall é baseado mais em riddins, que são as bases em baterias, que são mescladas com as a capelas de ragga.
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avontz disse em 12/06/2007:
Complementando.. é por isso que eu gosto de dancehall.. pq é um estilo em metamorfose.. que esta sempre mudando… um riddim para varias acapelas.. é gostoso de se mixar e talz.. xD
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Lucio K » Blog Archive » Ritmos Periféricos disse em 15/06/2007:
[...] ” Continue a ler a minha matéria sobre ritmos eletrônicos das periferias do mundo inteiro AQUI Read More Post a [...]
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Rodrigo disse em 20/06/2007:
Excelente matéria. Parabéns!
Só gostaria de complementá-la com um outro ritmo que não é tão conhecido por aqui, mas que eu curto bastante. É o Baltimore Club, que surgiu, logicamente, em Baltimore. Tem alguma semelhança com o nosso funk e as coisas gringas que tocavam nos bailes lá nos anos 90. É meio que uma mistura de hip hop com miami bass e ghettotech. Neguinho considera um estilo a parte, mas na verdade é bem parecido com o Ghettotech ou o Booty House, de nomes como DJ Assault, DJ Funk, Cajmere (Green Velvet) e tal. Hoje em dia, uma galera que tá esculachando no ghettotech é o Hollertronix (acho que eles até pararam, não sei), que é o Diplo e o Low Budget.
Agora, de Baltimore Club mesmo, um cara que tá bombando (sinto que vai bombar mais ainda) é o DJ Blaqstarr. Lançou um EP agora há pouco tempo pelo Mad Decent, o selo do Diplo. Procura pelo I’m Bangin’, umm mixtape matador dele. Se você assina o podcast do Mad Decent, tem lá.
Parece que alguns djs lá da América já estão até misturando Baltimore Club com funk.
E outra coisa irada do Baltimore Club são as danças. Procura só no You Tube por Baltimore Club ou então por Spongebob, que é um passinho cabuloso que eles fazem lá.
http://www.baltimoreclubtracks.com/
http://www.bmoreoriginal.com/
http://www.myspace.com/djblaqstarr
http://governmentnames.blogspot.com/Valeu!
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Rodrigo disse em 21/06/2007:
Só pra complementar a informação aí de cima, deixa eu mostrar dois vídeos. Um é o EPK (electronic press kit) do DJ Blaqstarr e o outro é um vídeo promocional do mais novo CD da DJ K-Swift, uma dj muito popular lá em Bmore.
http://www.youtube.com/watch?v=vQVT4h3bMdM
http://www.youtube.com/watch?v=8kacCzlTcU8 -
Dudu P disse em 21/06/2007:
Rodrigo disse:
Só pra complementar a informação aí de cima, deixa eu mostrar dois vídeos. Um é o EPK (electronic press kit) do DJ Blaqstarr e o outro é um vídeo promocional do mais novo CD da DJ K-Swift, uma dj muito popular lá em Bmore.
http://www.youtube.com/watch?v=vQVT4h3bMdM
http://www.youtube.com/watch?v=8kacCzlTcU8Rodrigo, belíssimo trabalho de pesquisa. Que tal publicar isto no Submusica? Entra em contato com a gente no info@submusica.com
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Lucio K disse em 21/06/2007:
Muito bom, Rodrigo, não conhecia. Nem sabia que baltimore tinha uma cultura black tao forte.
abs -
mauro disse em 12/07/2007:
adorei saber que há alguém que promove tais ritmos em seus comentários, estás de parabens pena não situares bem as suas origens como por exemplo o kuduro é nativo de Angola,o ragga é nativo da jamaica, assim como o reggaeton é uma versão latina do ragga entre outros…
muitos parabéns mesmooo -
KUDURO - AfroHipHop de Periferia « SPIRITO SANTO disse em 17/10/2007:
[...] maniqueísta - é apenas para introduzir o tema que o blogueiro e Dj Lucio K, chamou de Ritmos de Periferia, Kuduro, Kwaito, Grime, e outras elétricas bossas afro-pops, hoje muito recorrentes e prestes a se [...]
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KUDURO. AfroHipHop de periferia « SPIRITO SANTO disse em 27/10/2007:
[...] maniqueísta - é apenas para introduzir o tema que o blogueiro e Dj Lucio K, chamou de Ritmos de Periferia, Kuduro, Kwaito, Grime, e outras elétricas bossas afro-pops, hoje muito recorrentes e prestes a se [...]
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Mari disse em 03/11/2007:
Achei bem legal, só assim nós aprendemos um pouco mais sobre os ritmos da periferia, vocês também me ajudaram no trabalho.
Valeu!!!!!!!!!!!!!!!!:) -
rubens disse em 22/01/2008:
bem legal a periferia de todo o mundo realmente é rica em cultura e criatividade, só ficou faltando falar do hip hop pois sou adpto da cultura, conheço a história mas é sempre bom falar pq nem todos conhecem.
um abraço, parabens pela iniciativa. -
KUDURO. AfroHipHop de periferia « CAMILA SANTO disse em 26/01/2008:
[...] maniqueísta - é apenas para introduzir o tema que o blogueiro e Dj Lucio K, chamou de Ritmos de Periferia, Kuduro, Kwaito, Grime, e outras elétricas bossas afro-pops, hoje muito recorrentes e prestes a se [...]
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Toke disse em 02/06/2008:
Olá!
Sou o Toke e vivo em luanda.
Sobre kuduro gostaria de pedir a vossa licença para poder divulgar dois sites de kuduro que venho fazendo nos dois últimos meses.
http://kuduro.podomatic.com
o site inicial
e
http://kudurofiles.podomatic.com
o segundo site.Abraço e obrigado pela atenção,
Toke
Luanda-Angola
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