
Joel Cachioli, 24 anos, é um exemplo do brasileiro que não desiste nunca. Munido de sua coleção de samples e armado com o seu PC envenenado, JFX é o cara por trás de projetos de Jungle, Hardcore Breaks e Dark.
Depois de alguns anos e muitas horas editando batidas Amen e lutando bravamento com softwares sequencers, JFX finalmente atingiu seu ponto alto na história ao ter ganho um concurso da N2O e receber como prêmio a pressagem em vinil de uma de suas tracks que estavam concorrendo (suas faixas ficaram em 1º e 4º lugares).
Além de fazer parte do crew da Digital Bombing Brasil e fazer parte do elenco de artistas da N2O, JFX tem outras faixas de seu projeto Cenobites, formado por ele, Eduardo “Digital Hunters” e mais dois americanos, na agenda para serem assinadas por outros selos.
Trocamos uma idéia com o intrépido e maníaco dos Amens e beats pesados, JFX.
Submusica: Eae JFX, vamos começar então? Então, de início a gente quer saber como e porque você se meteu na cena de Drum and Bass, o que te fez trilhar o caminho dos beats quebrados e acelerados?
JFX: Opa, eae Submusica, beleza? Bem, eu comecei ouvindo The Prodigy - The Experience e um CD chamado Jungle Music Renegade Sector da Natasha Records que um amigo me emprestou, posso dizer que tudo começou aí.
Submusica: Pois é, o The Prodigy empolgou muita a cena na época mesmo, principalmente por causa do boom das raves. Essa época foi muito produtiva para a música eletrônica em termos de produção.
JFX: E como.
Submusica: Eu tenho esse disco do The Prodigy até hoje. Mas acredito que não foi só o The Prodigy quem te fez ter o insight de começar a produzir. O que te fez realmente pensar em produzir? Eu vi no seu Myspace que você começou ouvindo Rebel MC.
JFX: Realmente foi uma grande influência, mas não pra começar. Eu o conheci bem depois quando eu já estava produzindo.
Submusica: Na época, eu pirava com o Rebel MC também. Ele foi um dos primeiros Junglists a ter uma puta repercussão, sendo bem aceito pela galera da House Music, do Hip-Hop e do Reggae. Mas voltando na questão, quando você pensou em produzir? O que te fez produzir? O que te fez você parar e pensar “putz, Silvio Santos seu fdp, não vou perde mais meu tempo te assistindo não, vou produzir Jungle”, foi isso?
JFX: Hahahaha. Nunca, adoro o Silvio Santos. Uma das coisas que me tira da frente do computador é justamente o Silvio Santos (risos), mas enfim, não tem como definir o que me fez produzir, simplesmente me deu um estalo na cabeça, eu ouvia muita coisa, sempre, resolvi que era hora de eu contribuir com meu trabalho. Eu comecei apenas treinando mesmo, brincando e tentando reproduzir coisas que eu ouvia em casa como The Prodigy, Chemical Brothers, Public Enemy, Remarc, Krome & Time, The Dream Team, Hype, Pascal, Dillinja, Dj Rap & Aston, Phuture Assassins, etc. Resolvi treinar bastante antes de mostrar algum material para outras pessoas. Se tem uma coisa que eu fiz durante muito tempo foi editar Amen.
Submusica: Pô cara, nem fala em Remarc, aqueles pads atmosféricos dele, putz, muito animal.
Submusica: É verdade que você foi viciado em loops Amen durante algum tempo, necessitando se tratar em uma clínica. Você pode confirmar isso?
JFX: Prefiro não falar sobre isso.

Into de beats com JFX
Submusica:Você chegou a freqüentar festas daquela época quando você começou a produzir para sacar o que rolava?
JFX: Bem, naquela época eu não conhecia muita coisa, só ia nas festas da escola mesmo, não tinha grana para sair e eu era muito novo.
Submusica: Lembra de alguma referência nacional da época como o Marky, Ramilson, Mad Zoo, XRS, Dj Julião, Sound Factory, sei lá, lembra? Antes tínhamos mais programas de rádio voltado para isso também, eu lembro de vários… rádio pirata também tinha várias…
JFX: Isso era o que eu conhecia. Tinha muita coisa que rolava em rádio pirata por aqui também. Acompanhei várias também.
Submusica: Eu percebi que as suas produções, tanto as atuais como as antigas, possui um “quê” de Hardcore Breakbeat, Jungle, Reggae e Hip-Hop. São essas suas raízes, é o que você mais ouve?
JFX: Exatamente. Ultimamente estou ouvindo muito Dancehall.
Submusica: Você ainda ouve as velharias?
JFX: Na verdade, só ouço velharias, a maioria das vezes os sets do Dj Byte daqui de São Paulo.
Submusica: Por falar nisso, quais são as suas influências? O que você tem ouvido ultimamente? Você disse que ouve bastante Dancehall, mas de Drum and Bass mesmo, o que anda ouvindo? Existe alguma outra coisa que você tem ouvido mais. Tipo, eu sei que você gosta muito do Mumblz.
JFX: Tudo que não seja mainstream… Ah, Mumblz é parceiro, não vale! hehehe
Submusica: Eu tenho medo do Mumblz. Ele é um serial killer?
JFX: Só nos meses impares.
Submusica: E produtores? Quais os seus produtores preferidos? E Djs, quais que você acha que manda bem?
JFX: Cara, admiro muito os trampos do Cybass, Digital Hunters, Peixe Kru, Mumblz, General Malice, Debaser, Current Value, Remarc, Amon Tobin, 0=0, General Malice, Enduser, MKM e Viper. E Djs, gosto do Raw, Avontz, Djoe, Akaider, Audio1 e da Black Swan.
Submusica: Pô, a Black Swan é gata hein, mas enfim, você vai nas festas de Drum and Bass hoje em SP? Qual a sua impressão a respeito delas? Você foi no Skol Beats?
JFX: Cara, nunca fui muito de sair pras festas. Eu frequentava o Lov.e, mas acabei parando, sempre tive que trabalhar muito. Não tenho muito o que falar das festas atuais justamente porque infelizmente estou totalmente sem tempo para sair, mas conheço alguns organizadores, sei que todos são muito responsáveis e comprometidos com o projeto, tirando um ou outro caso raro. Não fui no Skol Beats, não acho certo pagar quase um salário mínimo em uma festa.

The Experience, onde tudo começou
Submusica: Por falar nisso, eu sei que você, junto com o Avontz, é um dos caras que está por trás do Digital Bombing Brasil, como foi a última edição?
JFX: Então, inovar sempre foi o nosso lema, tentamos mostrar o que não é conhecido, como nomes, estilos e fazer misturas. Não somos os primeiros a fazer experiências desse tipo, mas acredito que muitos por aí hoje estão seguindo essa nossa receita.
Submusica: A última Digital Bombing Brasil parece que foi muito legal, eu não pude ir, mas o feedback do pessoal foi positivo pra kct. Ouvi muito bons comentários.
JFX: Sim, graças Deus, nosso público é de muito respeito mesmo e os artistas ficaram super competentes.
Submusica: E como está indo a organização da próxima DBB? Tem previsão para a próxima?
JFX: Estamos fazendo as coisas sem pressa, fizemos uma pausa para justamente rever muitas coisas. Precisávamos botar a casa em ordem porque percebemos que já não era mais uma festinha para amigos, acabou virando compromisso sério, é o mesmo que me faz continuar produzindo. Se tudo der certo, a próxima DBB vai rolar em junho, não dá para definir uma data exata porque precisamos fazer alguns ajustes, mas estamos querendo a partir da segunda quinzena de junho.
Submusica: Pois é, eu soube que o Dj Byte saiu do crew da DBB, por que?
JFX: Problemas pessoais dele, infelizmente. Pode ser que alguém pense que ele saiu por brigas ou coisa do tipo, não foi isso. Ainda somos bons amigos.
Submusica: Legal. O que você tem achado da cena atual no Brasil? Tem espaço para todo mundo ou ainda é muito difícil ser reconhecido aqui? Quais são as suas impressões da nossa cena?
JFX: A cena está aí, espaço tem, posso dizer que não é difícil ser reconhecido, basta ter humildade e ir atrás do objetivo, manter o foco no seu trabalho e ver se é isso mesmo que você quer, é como concorrer a uma vaga de emprego, entende?
Submusica: Sim, mas eu percebo que nem todos os tops djs tocam coisas “made in Brasil”… a gente que é mais informado, acaba percebendo isso, não?
JFX: Com certeza, temos muitos artistas “conhecidos” aqui sim, mas…
Submusica: Pois é, e isso já vem lá das antigas, então nego tem que ralar e buscar alguma coisa lá fora…
JFX: Talvez o lance não seja buscar lá fora, mas é mais “fácil”, você já viu algum DJ daqui pedir música em fórum? Tudo bem, existem excessões, mas a maioria não valoriza a produção nacional, utilizam os fórums para divulgar festas ou releases apenas. Cara, cansei de entregar CDs e mp3 na mão dos tops aí. Uma vez, logo quando consegui completar um CD com minhas músicas, fui entregar aí para um DJ. Cheguei todo nervoso e tal, ele estava conversando com um cara, pedi licença e disse que era produtor e que gostaria que ele ouvisse o meu trabalho. Ele esticou o braço, abriu a mão, pegou o CD e largou na gaveta. Fez um “joinha”, agradeceu e voltou a conversar com o outro cara… A maioria dos artistas daqui não se dá ao trabalho de caçar música aqui dentro, só caçam top 10 em sites como Dogsonacid, Breakbeat, etc, o que o site mostra, ele compram.

Um dos brinquedinhos de JFX, o controlador M-Audio Oxygen 8
Submusica: Você participou de um concurso de produção nos EUA e ganhou em primeiro lugar e uma outra ficou em quarto, fala mais um pouco disso aí
JFX: Foi boa a experiência, é muito bom ver que a maioria do mundo que votou escolheu duas musicas que participei da produção, uma com Digital Hunters e outra com MKM, mas também aprendi a diferenciar quem dá valor a musica brasileira e quem dá valor aos próprios interesses.
Submusica: Você e o “Eduardo Digital Hunters”, junto com mais dois americanos, possuem um projeto chamado Cenobites. Fale um pouco sobre o esse projeto. Além desse, há outros projetos que você participa?
JFX: Bem, há algum tempo eu venho fazendo músicas com o Eduardo, até que conheci os americanos Doja e o Kompressah que, depois de trocarmos algumas brincadeiras, resolvemos fechar essa parceria em um projeto. Como sou muito fã de Hellraiser, resolvi batizar o grupo de Cenobites.
Submusica: Já assinaram alguma coisa do Cenobites?
JFX: Algumas. Graças Deus esse projeto está dando resultados satisfatórios, além dos releases também estamos com muitas parcerias com grandes artistas, aumentando o conhecimento e o network, hehehehe.
Submusica: Legal cara, o som de Cenobites é bastante original mesmo. Tem algum outro projeto engavetado?
JFX: Sim, tenho um projeto chamado The Specialist. Resolvi separar os estilos em projetos, o The Specialist é voltado para Riddim, Jungle, JFX para Hardcore Jungle / Ragga-Jungle e Cenobites para maluquices. The Specialist é o meu projeto preferido, mas ultimamente estou focado no Cenobites mesmo.
Submusica: Esse The Specialist tem bastante influência de Jungle e Breakbeat Hardcore, muito legal. De onde veio o nome JFX?
JFX: Meu nome é Joel Tomás Cachioli. J = Joel, FX = Effects, tudo a ver né? hahahahahaha
Submusica: Já assinou alguma coisa com o The Specialist?
JFX: Ainda não e também não sei se quero assinar, por isso que eu gosto mais desse projeto. Tenho outros planos para ele.
Submusica: Qual é o seu setup? O que você tem de hardware aí escondido?
JFX: Eu estou usando um PC com processador AMD Athlon X2, 3Gb de ram, placa de som onboard mesmo, um LCD de 19 polegadas, um som Aiwa para retorno e um controller Oxygen8, ah… e a dupla teclado e mouse hehe.
Submusica: Então mano, rola um top 10 aí para gente saber quais são as suas preferidas?
JFX: Opa, demorô:
01- Soundmurderer & SK-1 - T’elembodanustyle
02 - Double 99 - Ripgroove
03 - Cybass - Bad Thirteen
04 - Digital Hunters - Back Again
05 - The Dream Team - Stamina (Dread Bass remix)
06 - General Malice - This is the Year
07 - Sixteen Armed Jack - Mash up da place
08 - General Malice & Prodigal Son - Original Nuttah
09 - Mumblz & Switch Technique - Killer Headache
10 - Asian Dub Foundation - Buzzin’
Submusica: Bom, e para terminar nossa conversa, como você prefere trazer as suas compras do supermercado, em sacolas plásticas, em sacolas marrom de papel ou em sacolas feitas de palha?
Submusica: Carrinho de feira
Submusica: Bem cara, acho que é só isso, obrigado pela conversa, gostaria de deixar alguma lembrança ou agradecimento?
JFX: Gostaria de agradecer a você por essa entrevista e a todos que puderam ler tudo isso, também agradeço meus parceiros que sempre me ajudam, Digital Hunters, Avontz, Djoe, Dudu P, Cido, Cybass, Akzel, a minha maravilhosa esposa e toda a caravana de Pirituba.
Serviço:
- Cenobites: www.myspace.com/thacenobites
- The Specialist: www.myspace.com/thespecialistjungle
- JFX: www.myspace.com/jfx
- Digital Bombing Brasil: www.digitalbombingbrasil.com.br
Tags: Drum and bass, Entrevistas, Old skool
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10 comentários para "Entrevista com JFX"
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Cidão disse em 10/05/2007:
Ficou da hora a entrevista hein.
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Djoe disse em 10/05/2007:
Booooooa mumuka !!!
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Rude_Boy disse em 10/05/2007:
ficou muito bom o bate papo……..! sucesso jota cachioli efequis!
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Dudu P disse em 10/05/2007:
Muito bacana a entrevista, parabéns não só ao JFX pelo talento que só melhora medida que amadurece, mas também ao Cidão, excelente entrevista. Curti bragarai!
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avontz disse em 10/05/2007:
esse é o meu garoto!
[]s
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Deeenis aka Iznup disse em 10/05/2007:
Muuuuito boa!
A Ae i i
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DaNbAsS disse em 11/05/2007:
bela entrevista , mto legal …
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