
Uma das maiores atrações do Skol Beats 2007, o francês Laurent Garnier talvez tenha sido muito mais polêmico do que se esperava. Em pleno horário nobre da principal tenda, Laurent fez um set onde tocou de tudo, em vez de bombar a pista, dividindo opiniões.
Neste final de semana passeei pelas terras paulistanas em busca de música, de mudança de ares do já repetitivo e muitas vezes chato som eletrônico que anda rolando na cidade maravilhosa. Na nobre companhia de Dudu P, tive a felicidade de ir nesta edição do Skol Beats, evento que frequento desde 2003.
Diferentemente dos outros anos, a passarela do samba não abrigou as batidas retas e quebradas. No tal campo de Marte ao lado, as tendas foram espalhadas (aliás muito bem espalhadas, tudo muito longe), dispersando o público que até 01 da manhã era fraco, vazio. Ao chegar fui � tenda DJ Marky & Friends, naquela altura já rolando o som do talentoso D-Brigde. Através dos sounds systems, dignos de um festival como esse e que propiciaram nas duas tendas um som limpo e potente, traduziram a competência de um set simples, belo e contagiante. Fiz as pazes com um estilo que tenho muito carinho e andava meio brigado, que é o Drum n bass.
Após pouco ouvir o DJ Marky, que já fez mais a minha cabeça e meus ouvidos, fui pra The End esperar pelo grande momento da noite. Renato Cohen fez na minha opinião um set burocrático. Fico imaginando como deve ser complicado tocar antes do francês… ou seria depois dele, como no caso do Anderson Noise? O fato é que eu fui pra lá pra ouvir Laurent Garnier. E não me arrependi.

Laurent Garnier deixando a tenda hipnotizada no Skol Beats 2007
Ele, que já esteve várias vezes em terras brasileiras mas não tinha visto e ouvido ao vivo, mostrou pq de fato é considerado um ponto fora da curva dos DJs mundiais. Pegando uma pista com um som pesado vindo de Cohen, fez questão de continuar o set sem paradas para anunciá-lo, trazendo pra si, como um verdeiro camisa 10 do time dos DJs, a responsabilidade do festival. Aos poucos, suavemente, sutilmente, começou a mostrar a que veio. Em plena tenda, lotada de uma fervorosa platéia em busca de bate- estaca, Garnier foi descendo o BPM progressivamente, trazendo para nós pobres mortais um minimal techno poderoso, fino, longe do que ouvimos tradicionalmente.
Um som fundamentalmente rico, complexo, que muitos não entenderam até agora (talvez nunca entenderão). Enquanto algumas pessoas saíam decepcionadas com a ausência do muito barulho por nada, eu ia me encantando e atingindo meu objetivo único, ser surpreendido com sons diferenciados, sem superficialidades, mas na complexidade que a música eletrônica exige e merece. Laurent não toca techno, ele toca música. Está fora de rotulismos, toca o que é bom. Por isso, passeia com maestria pelo techno, deep house, disco, 80s, 70s, trance (sim, mostrou que há boas produções nele também) e claro, o drum n bass.
Simpático e carismático, dançava como criança no palco, vibrando com cada virada, cada mixagem limpa e precisa de quem entende demais do assunto. Eu, devidademente localizado no gargarejo, não conseguia mais dançar, necessitando apenas olhar e ouvir aquele momento mágico e inesquecível. Poucas vezes na minha vida, desde que comecei em 1988, ouvi um DJ tocar daquela forma esplendorosa.
Às 4, seu set acabou. E eu fui embora. Nada que fosse tocar dali em diante poderia ser melhor. Talvez seu back2back com Marky tenha sido tão bom quanto seu long set. Mas isso eu deixo pra quem continuou por lá. Fico com o sonho de uma noite que dificilmente ouvirei novamente em terras brasileiras, muito menos cariocas.
Merci, Laurent.
Tags: Artistas, Drum and bass, Eventos, Reviews
Artigos relacionados:
15 comentários para "Afinal, Laurent Garnier toca o quê?"
-
Dudu P disse em 07/05/2007:
Foi bizarro, a melhor experiência musical da minha vida. O cara é um lorde, tenho pena de quem não conseguiu entender o que ele passou ali naquele set.
Nunca mais perco uma apresentação desse monstro.
-
MA disse em 07/05/2007:
Nada melhor do que lembrar do som vendo a gente ali no meio nesta foto…
-
davi roque disse em 08/05/2007:
Fico aqui pensando que daqui pra frente só continua o caminho ( ainda mais que não pesa mais ) quem tem bagagem… DJ toca música… o cara q só dá play num estilo só não tá no ramo pelo motivo certo. Quer dizer, ele pode ser uma referência do estilo… se o cara for bom, mas muito bom mesmo… mas ainda assim não imagino alguém tão bom que se limite a ouvir, produzir e tocar um só estilo. Tedioso… no mínimo!
Vida longa!
-
Kalif disse em 08/05/2007:
o cara é um monstro do além. não ha palavras para descrever a genialidade do cara…
-
Deeenis aka Iznup disse em 08/05/2007:
Infelizmente nunca vi ele tocando, e agora não posso dizer nem que ‘imagino’ o que ele tocou =/
-
Lucio K disse em 10/05/2007:
Belo Texto, MA!
O Laurêncio Jardineiro é sem duvida visionário. Tá plantando as sementes certas. Essa tendencia de “desespecializar” a musica eletronica é o futuro! Pq infelizmente a musica eletronica nos ultimos anos se “especializou” demais, se formatou em rótulos e regras que só fizeram a musicalidade diminuir, a criatividade e a diversidade encapsularem. Foi quando percebi isso que abandonei o rótulo de “dj de música eletrônica”, há 3 anos, e hoje me sinto muito mais livre, independente e produtivo. Viva a mistura! -
JP disse em 14/06/2007:
Ola….
A esta hora ainda não posso dizer nada sobre o grande laurent, mas mais logo vou ter o prazer de o ver no Lux! Vai ser bom concerteza…. -
Warsaw disse em 05/07/2007:
Não trabalho nesse ramo mas sou apreciador da boa música, independente do estilo. Gosto muito de música eletrônica, também. Muito bom o que foi afirmado por Lucio K, realmente esse negócio de rotular estilos e seguir apenas nele é limitado demais. Vejam o que aconteceu com o rock’n'roll, tem tantos estilos diferentes que é difícil definir o que é rock’n'roll. Há pouco tempo atrás ainda se discutia o que era e o que não era rock. Hoje pouquíssima gente se ocupa com isso. A música eletrônica deve trilhar o mesmo caminho para se firmar.
-
Dudu P disse em 05/07/2007:
Warsaw disse:
Não trabalho nesse ramo mas sou apreciador da boa música, independente do estilo. Gosto muito de música eletrônica, também. Muito bom o que foi afirmado por Lucio K, realmente esse negócio de rotular estilos e seguir apenas nele é limitado demais. Vejam o que aconteceu com o rock’n'roll, tem tantos estilos diferentes que é difícil definir o que é rock’n'roll. Há pouco tempo atrás ainda se discutia o que era e o que não era rock. Hoje pouquíssima gente se ocupa com isso. A música eletrônica deve trilhar o mesmo caminho para se firmar.
clap! clap! clap! clap! clap! clap! clap!
-
jorge disse em 20/08/2007:
sou eu de vermelho na frente
o unico de vermelho!huahauhaua
-
ELECTRIKLIFE disse em 16/09/2007:
olá chamo-me bruno e sou de portugal, eu já vi o laurent garnier tocar algumas vezes, mas a melhor terá sido a vez que fui com uns amigos para londres ao aniversário do club the end, laurent garnier soltou boa música e isso chega, não interessa se é techno, house… valeu o dinheirão pago à entrada do clube. parabéns pelo texto cinco estrelas. passa pelo o meu blog http://www.mundourbano.blogspot.com
-
MA apresenta o podcast Dance! especial techno anos 90 no Submusica @ Submusica disse em 28/10/2007:
[...] aos DJs do techno atual, o agradecimento pelas ótimas noites proporcionadas. Esta é a minha contribuição à sua rica história, mesmo não sendo o meu [...]
-
Podcast Deeper! de outubro de 2007 com télépopmusik e st germain @ Submusica disse em 29/10/2007:
[...] França, que tem uma grande representatividade na música eletrônica, seja pelo seus DJs ou bandas, é o destaque da edição de outubro do [...]
-
Spektr disse em 31/10/2007:
Vi Laurent Garnier em Cannes. Assino em baixo do seu relato!
-
Santos disse em 20/07/2008:
Realmente muitos não tem bons ouvidos e pensam que são Dj’s, mal conhecem as raizes da musica em geral e já tacham com significados e arrogancias. Realmente temos bons amigos com excelentes ouvidos,Garnier que o diga, ele tem o que chamamos de ouvidos bionicos, aplaudam de pé um icone da musica, eu falei da musica não rotulei , não precisamos disso temos que saber a quem nós devemos ter como herói e não como vilão.
Minimal, quem diria, mais uma vez a musica se expandiu e poucos, no momento da expansão, entenderam., fazer o que não é? Eainda dizem que curtem musica eletronica, se eu perguntar quem se lembra da propaganda de um homenzinho enxugando-se e dançando e quando sua tolha cai ele fica vermelho poucos saberão que comercial será este, mas uma coisa eu sei, o produto a que ele se refere-se é o melhor do mercado até hoje.Não sabe do que estou falando? Consulte o passado, as Raizes(os+velhos)e els te responderão.
Povo de modinha é f…
+0
+0
+0
+0
+0
+0
+0
(subscribed to comments)
+0
+0
+0
+0
+0
+0
(subscribed to comments)
+0
+0




(8 votos)